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Image by Annie Spratt
  • Foto do escritorRita Stano

MAIS UMA VEZ, A DOCÊNCIA!

Como pode a docência estar em 3º lugar numa pesquisa que lista as profissões mais infelizes(que causam frustração) que existem? Desde que fiz minha escolha e adentrei o universo da Educação, orgulhava-me e me sentia feliz todos os dias(talvez aí um pouco de docilidade de minha memória) por ser professora. Uma profissão que me ensinou tanto acerca das relações entre pessoas, dos limites e possibilidades criativas de cada um/a no processo de ensinar e de aprender. Em meu discurso e em minhas frágeis certezas, via a docência como lugar de construção de significados, de autenticidade de vida, na riqueza de experiências. Cuidar, estender a mão, acreditar no ser mais, na busca e encontro de uma vida melhor por meio do conhecimento. A escola, ao promover a construção de tantos saberes, promovia, também, a esperança de um mundo melhor, mais generoso, menos injusto. Modos de significação de um viver com compromisso, engajamento e confiança no ser humano. Como uma profissão que tanto proporciona  abrigo à desesperança, aos fatalismos de cada esquina, pode ser fonte de infelicidade para os que a escolhem?

A docência implica num conjunto de elementos que se complexificam na medida em que assumimos a sala de aula como lugar de aprendizado e de relações, de diferenças, de desigualdades e injustiças. Torna-se desafio fazer da aula processo de encantamento, de descobertas, de criação frente às tecnologias presentes na vida das novas gerações. Tecnologias que nem estavam presentes na formação docente e que, agora, desafiam saberes consolidados em décadas de práticas e teorias pedagógicas. Adentrar este contexto sugere a necessidade de se despir de receitas repetidamente postas e impostas pelo cotidiano escolar. Sugere desaprendizados nem sempre fáceis de reconhecer. Entretanto, são estes desafios que tornam a docência e o espaço escolar em algo instigante, jamais monótono, sempre disfuncional e que nos exige atenção, boa e apurada percepção do mundo. Não cabe à docência enrijecimento de saberes e práticas e nem certezas absolutizadas por modelos de professoralidade.

Torna-se, cada vez mais necessário, aprender, talvez mais do que ensinar, na docência. E, ter a coragem de enfrentar os dissabores em tantos olhares enviesados, preconceituosos de outros. Nunca a Educação escolar foi tão questionada, exageradamente opinada por pais que parecem não confiar no trabalho dos sujeitos que habitam a escola. Por isto, insisto que é preciso criar um espaço de diálogo com os pais, resgatando esta confiança e estabelecendo compromissos comuns e complementares que efetivamente criem laços de confiança e respeito. Assim, exercita-se a politicidade inerente ao processo educativo.

Uma profissão que cuida, também precisa ser cuidada pelos seus próprios profissionais, tanto no âmbito pedagógico(de novas aprendizagens, ensino que estimule o pensar e o encantar-se) quanto no âmbito pessoal(cuidar de si, respeitar seus limites), além de assumir-se integrante de uma categoria que luta e exige condições melhores de trabalho, maior remuneração, chances de aprendizado contínuo para melhor ensinar.

Sem receitas, sem saudosismos, há que se fazer da docência um lugar de novos significados que fortaleçam a própria profissão. Em tempos sombrios, que seja a docência o carro-chefe da esperança que renova o mundo, do respeito que embasa as relações, do compromisso junto às novas gerações. Uma profissão que garanta a alegria do aprendizado constante(Snyders), a importância da autonomia(Freire), da delicadeza dos cuidados de si, do outro e do planeta (Boff). Enfim, docência, imprescindível para a inconclusão perene do humano.




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